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Diagnóstico

Como diagnostica o Ceratocone?

O diagnóstico de ceratocone envolve exame oftalmológico completo e exames complementares para caracterização da córnea.

A propedêutica complementar tem um desenvolvimento contínuo, mas houve aceleração exponencial nos últimos 30 anos.  

Em 1859, William Bowman descreveu a aplicação de um oftalmoscópio para estudar a protrusão cônica da córnea. No final do século XIX, António Plácido da Costa descreveu os discos que consagraram seu nome na Medicina. Os estudos com fotografia do reflexo dos discos de Plácido na córnea (fotoceratoscopia) realizados por Mark Amsler na década de 1950 possibilitaram acompanhamento longitudinal de modo a se identificar uma forma subclínica, atenuada ou forma frustra de ceratocone, que poderia evoluir para doença com manifestações clínicas. Esta foi a primeira observação que reconhece haver maior sensibilidade para diagnóstico de ceratocone por meio de exame complementar. Em 1984, Stephen Klyce descreveu mapas coloridos de curvatura anterior por meio de videoceratoscopia computadorizada, dando início à era da Topografia (computadorizada) de Córnea.

O estudo computadorizado determinou a possibilidade de se desenvolver índices objetivos e métodos de inteligência artificial que aumentam a acurácia diagnóstica e facilitaram a popularização desta abordagem. Neste mesmo período, foi introduzida a paquimetria com ultrassom, com maior reprodução das medidas de espessura que as medidas ópticas adaptadas à lâmpada de fenda. A topografia e a paquimetria têm importância fundamental e inquestionável no pré-operatório para a seleção de candidatos e planejamento de Cirurgia Refrativa.

No final dos anos 1990 surgiram os primeiros sistemas com capacidade de caracterizar a geometria da córnea em três dimensões (3-D), possibilitando assim o estudo tomográfico da córnea. A caracterização da elevação das faces anterior e posterior da córnea, juntamente como o mapa paquimétrico, aumenta tanto a sensibilidade como a especificidade para diagnóstico de ceratocone. Entretanto, a interpretação dos achados deve ser consciente e baseada em parâmetros objetivos embasados em evidências científicas. Um exemplo é o software Belin/Ambrósio (Figura 1), que desenvolvemos para o Oculus Pentacam. Tanto a confirmação do diagnóstico como a capacidade de se fazer diagnósticos mais precoces e avaliar progressão de forma mais sensível são fatores fundamentais, considerando-se as atuais possibilidades terapêuticas.

O final do século XX também foi marcado pela evolução na caracterização do sistema óptico ocular. A análise da frente de onda (wavefront) possibilita entendimento das irregularidades ópticas não explicadas e não corrigidas pela refração esfero-cilíndrica clássica. Estas passaram a ser caracterizadas como aberrações de ordens mais elevadas. Com esta abordagem, podemos entender melhor as queixas relacionadas com a qualidade visual e monitorar os resultados terapêuticos.

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